A acne é uma das condições de pele que mais impacta a saúde mental e a autoestima de jovens e adultos. Para Lucas Penteado, esse impacto foi o combustível para criar um império de skincare que projeta faturar R$ 18 milhões em 2026.
Aos 14 anos, enfrentando um quadro de acne severa e episódios de bullying na escola, Lucas decidiu buscar suas próprias respostas. Foram sete anos de pesquisas e testes até desenvolver a fórmula que transformou sua pele sem deixar cicatrizes. Mais tarde, enquanto cursava Administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ele tomou uma decisão ousada: abandonar a faculdade para liderar a Piny em tempo integral.
Fundada oficialmente em março de 2021, a marca brasileira de skincare vegana e cruelty-free nasceu com o propósito de desafiar o padrão medicamentoso e agressivo do mercado tradicional. Operando com capital 100% próprio e sem investidores externos, a Piny dobra de faturamento a cada ano, acumulando mais de 200 mil produtos vendidos e 44 mil peles transformadas.
A marca também se destaca pelo pioneirismo tecnológico: foi a primeira no Brasil a desenvolver um sistema próprio de análise de pele com inteligência artificial, onde o cliente envia uma foto do rosto pelo site e recebe um diagnóstico totalmente personalizado.
Em entrevista exclusiva ao Marca Pop, o CEO Lucas Penteado analisa a mudança de comportamento do consumidor, critica o marketing de promessas vazias e revela as tendências que vão ditar o futuro do mercado de beleza.

Marca Pop: Nos últimos anos, vimos uma explosão de rotinas de skincare com inúmeros passos. Como você avalia o movimento atual em direção a cuidados mais simples?
Lucas Penteado: Acho que foi uma correção natural do mercado. A indústria passou anos vendendo a ideia de que skincare era um ritual complexo, quanto mais passos melhor. Mas a realidade é que pele inflamada, oleosa e acneica não precisa de 10 produtos. Precisa de eficiência. Essa mudança veio de consumidores cansados de rotinas que não funcionavam e ainda pioravam a pele. Vimos muita gente explorando o minimalismo e descobrindo que menos é realmente mais. A Piny nasceu justamente dessa visão: produtos específicos para quem tem pele acneica e oleosa, sem conversa mole. Sem marketing que promete a Lua. Fórmulas que funcionam.
Marca Pop: O consumidor de hoje parece muito mais atento às fórmulas e aos componentes do que no passado. Como essa busca por informação transforma o mercado?
Lucas Penteado: Isso mudou tudo. Dez anos atrás as pessoas compravam o que a TV mandava. Hoje entram no produto, procuram o INCI (nomenclatura internacional de ingredientes cosméticos), estudam sobre niacinamida, peróxido de benzoíla, ácido salicílico. Estão empoderadas. Isso é positivo e, honestamente, desconfortável para marcas que vendiam promessas vazias. Mas pra gente é ótimo. Quanto mais informado o consumidor, melhor nossos produtos se vendem, porque eles funcionam mesmo. A educação matou o marketing mentiroso. E acredito que é assim que deve ser.
Marca Pop: A praticidade trouxe uma demanda por produtos multifuncionais. Qual é o limite entre entregar conveniência e perder a eficácia?
Lucas Penteado: A vida ficou mais acelerada, as pessoas viajam mais, têm rotinas caóticas. Um produto que faz bem várias coisas é valioso. Mas tem um risco: multifuncional não pode ser sinônimo de superficial. Na Piny, quando pensamos em novos formatos, a pergunta sempre é: “Isso realmente funciona ou é só conveniência?”. Estamos explorando isso, mas sem perder a eficácia que é nosso DNA. Um sérum multifunções que realmente resolve acne, oleosidade e textura é diferente de um que tenta fazer tudo e faz nada bem.
Marca Pop: A Piny foi pioneira no uso de inteligência artificial para análise de pele no Brasil. Como você enxerga o equilíbrio entre o uso de dados e a experiência humana?
Lucas Penteado: Esse é um caminho interessante, mas não sou fã de usar dados de forma invasiva só porque é possível. Personalização real vem de entender: qual é a sua pele? Qual é seu tipo de acne? Você é sensível? Você usa isotretinoína? A tecnologia ajuda a escalar isso. Quizzes bem feitos, análise de ingredientes, recomendações baseadas em histórico. Mas o diferencial ainda é humano: conversa real, atendimento que entende, comunidade. Dados ajudam, mas não substituem empatia.
Marca Pop: O skincare voltado para a acne deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ser discutido como bem-estar e aceitação. A marca ocupa esse lugar de acolhimento?
Lucas Penteado: Sem dúvida. Beleza sempre foi cultural, mas skincare especificamente virou mais que estética. É saúde mental, é lidar com insegurança, é comunidade. Vejo muito isso em redes sociais. Pessoas compartilhando jornadas de acne, normalizando que ter pele acneica não é um fracasso pessoal. Isso é transformador. E sim, a Piny ocupa um espaço emocional: “Eu tenho essa pele e há marcas que não me tratam como um problema, mas como alguém com uma necessidade específica”.
Marca Pop: Olhando para a frente, quais tendências você acredita que vão transformar o mercado de skincare no Brasil nos próximos anos?
Lucas Penteado: Vejo alguns movimentos muito fortes. O primeiro é a exigência por ingredientes com comprovação real. Vamos deixar de lado promessas genéricas; o consumidor quer saber quantos estudos o produto tem e em quanto tempo o resultado aparece. Também teremos uma busca por ingredientes focados na barreira cutânea, pois a pele acneica inflamada precisa de suporte, não só de agressão.
Na parte de experiência, marcas que conseguem criar espaços de troca real entre os consumidores vão ganhar, porque os dermocosméticos são cada vez mais sociais. Além disso, o mercado cansou de texturas pegajosas ou muito secas na pele oleosa; o conforto sensorial será um grande diferencial. Por fim, veremos a consolidação da sustentabilidade real e não apenas no storytelling, além do cruzamento de dados com atendimento humano especializado como o principal diferencial competitivo.
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